Crítica

Crítica – “A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais” são fieis ao depoimentos e mostra uma Carla Diaz diferente

Depois de um ano e meio de aguardo, chega os aguardados filmes do caso Suzane von Richthofen, “A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais”, em que mostram duas versões diferentes sobre o famoso caso da menina que assassinou os próprios pais em 2002.

Em “A Menina Que Matou os Pais”, é mostrado a versão do caso sob o depoimento de Daniel Cravinhos, namorado da Suzane na época e que na produção é interpretado pelo Leonardo Bittencourt (de “Malhação – Vidas Brasileiras”) e o segundo, “O Menino Que Matou Meus Pais”, sob o depoimento da Suzane von Richthofen (Carla Diaz). A ideia de mostrar duas versões sobre da mesma história foi uma boa sacada, pois assim não fica mais para um lado do que para o outro, o que aconteceu com a série “Dom”, por exemplo, baseado na vida do criminoso Pedro Dom sobre a visão de seu pai, que o via como uma vítima da polícia do Rio de Janeiro e que deu até desentendimento com a família de Pedro, já que a mãe e a irmã os viam de outra forma.

As duas versões inclusive poderiam ser mostradas em uma só produção com a mesma linha temporal. Porém, poderia ficar confusa a compreensão para alguns espectadores, conforme dito, poderia ficar mais para um lado do que para o outro e não teria o conceito inédito que as produções teriam originalmente nos cinemas, de assistir dois filmes com um só ingresso, sendo algo inédito na produção audiovisual brasileira. Esta foi a ideia por muito tempo, como até o final do ano passado conforme dito na CCXP, mas a proposta tentadora da Amazon e vide a baixa repercussão dos filmes nacionais na retomada durante a pandemia podem ter influenciado para que os filmes fossem para o streaming.

Voltando a história, em “A Menina Que Matou os Pais”, sua história é contada de forma como a psicopatia faz com quem está com pessoas próximas, de o influenciar ao ponto de destruir a sua vida, que foi o caso da Suzane como a menina doce indicada que sofria pelo pai com supostas agressões e a rejeição do namoro. Reconstruir por esse ponto somado a mostrar Daniel como um jovem manipulado e que vivia uma vida humilde é interessante, uma boa análise para quem é estudante criminal ou de psicologia. O roteiro e a agilidade deste momento acaba até soando lendo, porém, uma história precisa ter detalhes do que aconteceu. Para quem não sabe, a construção de ambos os filmes se deu exclusivamente aos depoimentos dos envolvidos nos crimes, sem participação de demais pessoas que conviviam com os assassinos. Sobre a atuação do Leonardo como Daniel fica bastante a desejar. Talvez seja por personagem exigir uma carga dramática grande, por ter sido um personagem real, diferente das suas atuações de “Malhação” e até da excelente série “Segunda Chamada”.

Em “O Menino Que Matou Meus Pais” é todo focado na psicopatia de Suzane, em diga-se de passagem, uma boa interpretação de Carla Diaz, totalmente do que estávamos acostumado vê-la na TV ou até mesma da forma que a vimos no BBB 21. A atriz conseguiu mostrar bem a psicopatia da jovem que matou seus pais sem ser caricata. Nesta versão, é construída como uma jovem que viveu em um relacionamento abusivo e que foi incentivada a matar seus pais. Esta versão inclusive hoje já é contada diferente pela própria assassina. Em sua última entrevista a imprensa, que foi ao Gugu em 2015, Suzane conta que planejou o assassinato de seus pais junto com o seu ex-namorado e seu ex-cunhado. “Muita gente me pergunta se a ideia (do crime) foi minha. Todos dizem que eu sou a mentora, a cabeça de tudo. Não é verdade, Gugu. Uma cabeça só não pensa em tudo. É uma junção de tudo, concorrência de ideias. Eu fiz parte, mas os três bolaram aquilo. Eu acho que o Cristian sabia menos da situação, mas, infelizmente, tanto o Daniel quanto eu temos culpa nessa parte” – disse Suzane na entrevista. Atenção que está parte contém cenas de gatilho para quem vive ou viveu relacionamento abusivo.

Nesta parte segunda parte, para quem já viu “A Menina Que Matou os Pais”, vimou o auge da psicopatia em busca de uma defesa. Ou seja, para quem está em duvida entre o que ver primeiro, escolha por “A Menina Que Matou os Pais” seguido de “O Menino Que Matou Meus Pais”, já que esta seria a ordem no cinema.

Se as histórias fossem contadas por outros pontos de vista e de uma forma única, como estamos acostumados em filmes baseados em casos reais, poderia até ter uma narrativa que não soasse imparcial, porém seria enriquecedor ao construir os personagens da história, assim como mais análises de psicólogos, psiquiatras, peritos e até mesmo jornalistas que cobriram o caso.

Os filmes chegam ao streaming nesta sexta (24).

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