Crítica

Crítica – ‘Confissões de Uma Garota Excluída’ mantém clichê e ‘universo Zona Sul do RJ’ de Thalita Rebouças

Como é esperado anualmente na cultura pop cinematográfica brasileira, é lançado mais um filme baseado em uma obra da Thalita Rebouças, sendo dessa vez a adaptação de “Confissões de Uma Garota Excluída, Mal-amada e (Um Pouco) Dramática”.

A história gira em torno de Tetê (Klara Castanho) que vê a sua vida mudar quando seus pais se mudam de sua casa na Barra da Tijuca e vão morar na casa dos seus avós em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e tem que lidar com algumas diferenças. Quem olha pela primeira vez, pergunta qual será a diferença que lida já que se vive entre bairros de classes A e B. Porém, essa resposta vem ao longo da narrativa.

Tetê sai da sua zona de conforto (leia-se escola, em que era excluída da turma, e a sua casa) e vai morar de favor com seus avós, criando assim um contraste que mexe na vida de adolescente. Em sua nova escola, logo de cara, Tetê faz duas novas amizades, Davi (Gabriel Lima) e Zeca (Marcus Bessa), que pela primeira vez no universo da Thalita, é abordado um personagem homossexual. Davi também tem destaque no universo por ser o primeiro personagem negro com destaque nas histórias da autora. Isso representa um avanço em relação aos seus últimos filmes, “Ela Disse, Ele Disse” e “Pai em Dobro”.

Além do choque com a mudança, a história traz abordagens como auto aceitação, bullying e romances clichês, sendo típico da autora e que, diga-se de passagem, acaba funcionando bem em suas obras.

Outro destaque que se tem na história é a Júlia Gomes, que faz a Valentina, uma jovem metida que faz bullying com a Tetê e é namorada do Erick (Lucca Picon). A atriz, conhecida por ser a Marian de “Chiquititas”, consegue ter destaque em mais uma vilã, dessa vez até menos má que a da novela recomendada para crianças maiores de 12 anos. Outra Chiquitita que também está na história é a Fernanda Concon, que faz a Laís, amiga da Valentina. Ela também consegue ter um bom destaque.

Porém, apesar desses avanços e do clichê, a ambientação da história ainda continua travada ao conceito Zona Sul do Rio de Janeiro. Até quando as suas abordagens serão assim? Não são desmerecendo os conflitos citados, mas a autora poderia explorar outras as realidades além da bolha que é a sua zona de conforto. Adolescentes tem problemas e diversos conflitos, porém um outro olhar de uma outra classe social iria somar em suas produções e trazer um “choque”, assim como foi com “Malhação – Viva a Diferença” que mudou o conceito da novela teen da Globo, quebrando o arco casal perfeito e mocinha da Zona Sul.

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