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Crítica – ‘Meu Pai’ passeia pela dubiedade e faz dele ser forte concorrente no Oscar

“Meu Pai” é um daqueles filmes que o cinema atual estava precisando, com um roteiro impecável que passeia pela dubiedade e uma fotografia que acaba o ressaltando e que fez merecer as suas seis indicações ao Oscar deste ano.

Em sua estreia como diretor, Florian Zeller merece todas as palmas do mundo junto com o roteirista Christopher Hampton, responsável por adaptar a peça homônima que é a base do longa, e os protagonistas Anthony Hopkins e Olivia Colman, que vivem uma relação conturbada entre pai e filha.

Para quem não sabe, o filme gira em torno da filha Anne (Coldman) e seu pai Anthony (o nome do personagem é o mesmo do ator), no qual, antes de se mudar para Paris, quer internar o idoso em uma clínica de repouso por já estar com problemas de memória. Porém, ele não quer.

Aí é que está a diferença, o roteiro em si chama muita atenção por trazer uma linguagem no qual não se sabe se o que está acontecendo é real, passado ou fruto da imaginação do personagem de Anthony. Levar o filme para esse sentido poderia ser arriscado, pois poderia fazer com que não fosse bem interpretado, mas a forma que Hampton junto com Florian adaptaram, junto com a abordagem do Alzheimer, trouxeram um conceito que com certeza tem tudo para marcar na história do cinema.

Outro ponto a ser destacado é de que a visão que temos perante a história é do olhar do idoso com a doença, que não é de como já vimos de sermos uma terceira pessoa observando por fora. Em “Meu Pai” isso acontece ao contrário, observamos por dentro, até para dar uma diferença no clichê que já vimos entre filhos com pais com esta terrível doença.

Em meio a era de vivemos de remake/roboot, filmes de heróis e continuações de sucessos do passado, um filme com este roteiro merece ser enaltecido de todas as formas, assim como foi “1917” e “Entre Facas e Segredos“. É um forte candidato ao Oscar desse ano e tem tudo para garantir ao menos duas das seis categorias em que foi indicado.

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