Crítica

Crítica: “Tempo” apresenta um mundo paralelo cheio de críticas sociais dentro da realidade em conceitos irreais

O famoso diretor M. Night shyamalan, responsável por obras como “O Sexto Sentido” e “Fragmentado” acaba de adicionar mais um filme para a sua lista de blockbuster. O filme intitulado “Tempo” se encontra num mundo alternativo onde a memória e a imaginação corre solta com um pequeno toque do sinistro, o que torna o longa ainda mais interessante.

Shyamalan exibe seu próprio conceito da ilha do medo neste thriller misterioso e arrepiante onde uma família que passa seu feriado num resort tropical e descobre que a praia isolada onde eles estão relaxando por algumas horas está de alguma forma os fazendo envelhecer rapidamente… reduzindo suas vidas inteiras em um único dia.

O filme conta com a participação breve do próprio diretor M. Night Shyamalan, e em seu elenco temos Alex Wolff, Gael García Bernal, Francesca Fisher-Eastwood (filha de Clint Eastwood), Rufus Sewell, Vicky Krieps, Aaron Pierre e Thomasin Mckenzie.

Algo peculiar aos olhos do espectador consciente durante o filme é a preocupação do diretor com o ângulo e o enquadro das cenas. O ato corriqueiro da câmera faz com que o espectador preste atenção ao mais importante como os detalhes dos personagens, suas linhas de expressão, suas peles ressecadas que crescem a cada segundo, e numa possível ideia de torna-lo mais atraente em aspectos oculares já que se trata de um filme onde a maioria do cenário é numa ilha deserta, onde só pode se ver areia, o mar e rochas.

Vemos uma trama magnificamente arquitetada. O diretor usa a ficção científica para dar ênfase aos aspectos reais da vida, intensificando ainda mais o significado da mensagem do filme.

“Tempo” mostra que a vida passa num piscar de olhos quando os personagens mais jovens crescem em questão de duas horas, “num piscar de olhos”, onde já estão se reproduzindo e rapidamente se tornam adultos. Ensina através dos personagens chave que “o tempo cura tudo” ao se deparar com um casal tendo problemas maritais que não importa qual for a discussão, com o passar do tempo você nem lembrará mais qual foi a causa da briga e se envergonhará de não ter tentado mais. Além de deixar claro para o espectador que pessoas que não tomam conta de sua saúde, seja ela física ou mental, o tempo acaba para todos e lá será tarde demais. Com um olhar profundo para as discussões mais complexas e simples de se resolver, Shaymalan deixa escancarado o que se chama síndrome do pensamento acelerado, uma doença que vem afetando todos os seres humanos, que já nascem estressados, irritados, e não possuem tempo para pensar e sucumbem a pressão da sociedade de que ser mais rápido é mais prolífero do que olhar para dentro de si e realizar que o ser humano está desperdiçando seu tempo, sua vida, a vida de seus filhos em coisas que daqui a 5 anos não será a mesma.

Uma análise imácula e sinistra sobre o que o ser humano tem feito com o seu tempo. Definitivamente este é o melhor filme do diretor, além de uma trama suculenta, os efeitos especiais, a direção e fotografia te acalmam e traz uma experiência cinematográfica nunca mais vista nos cinemas desde o início da pandemia.

SaraFreitas
Apaixonada por cinema!

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