Na última sexta (30) o MV Bill lançou o seu álbum “Voando Baixo”, no qual reflete sobre o cotidiano brasileiro na pandemia, com a meta de mensagem de que nós mesmo tem que ser a solução para mudar o país.
A ideia do projeto nasceu a partir de comentários no Twitter, conforme o próprio cantor disse na coletiva de imprensa. Já a ideia de ser lançado somente agora vem pelo fato de que, por conta do momento em que estamos passando, as pessoas estão na tendência de ouvir músicas mais relaxantes, reflexivas e políticas do que no mundo normal.
Inclusive, esse é o tema que o MV Bill reflete muito em sua obra, chegando a destacar dois pontos importantes ao Brasil. O primeiro é de que a favela ainda não venceu, alegando que as conquistas são pontuais, porém, ainda falta chegar no coletivo por completo. Outro está relacionado a falta de representatividade negra no audiovisual, dizendo que o movimento precisa se unir mais para que cada vez mais negros conquistem espaços na cena.
A gravação do álbum aconteceu em duas etapas: em sua casa e em um estúdio próximo a sua residência. Confira abaixo a história de cada faixa.
1. Esgrima
“Esporte que simboliza a luta, o espírito do disco. A faixa é um apanhado de entrevistas importantes que concedi, com samples de Marília Gabriela, Faustão e Pedro Bial. Refresco a memória de quem não se lembra ou não sabe da minha trajetória midiática. Termina com o rapper Ligado, que saiu de Fortaleza para o Rio de Janeiro em 1990, para divulgar o trabalho dele no meu programa de rádio”.
2. Bocejo
“Descrevo uma pessoa num barco rodeado por lama ao invés do mar azul, para conclamar o grande despertar coletivo. É a única salvação possível para uma nação que só afunda”.
3. Nóiz Mermo (participação ADL)
“A letra expressa a indignação coletiva com a gestão pública e as consequências na política social do Brasil. Quem está ao lado do povo, fazendo por ele, é o próprio povo. Uma gíria familiar que define essa auto-representação nomeia a faixa”.
4. Nossa Lei (part. Kmila CDD e Stefanie)
“Nessa eu divido os vocais com dois talentos femininos do rap – minha irmã Kmila CDD que já participou de vários trabalhos meus e tem uma voz muito marcante, e a outra é a rapper Stefanie de Santo André (SP) que tem um flow único e forte. As nossas três vozes juntas mostram o poder e o tamanho da nossa força, da Nossa Lei.”
5. Milicítico (part. Bob do Contra)
“Indignação coletiva perante a atual governabilidade brasileira, que traz à tona injustiças sociais, violências, apatias e desigualdades. Uma das músicas com discurso mais forte, força instrumental, suavidade no refrão e agressividade na letra”.
6. Essência
“Trago quatro mulheres da Cidade de Deus, que exaltam a sagacidade de suas origens e potência vocal. Três delas me carregaram no colo e uma estudou comigo.”
7. Sintonia Real (part. Filiph Neo)
“Explora a sintonia física, carnal e picante, importante para uma relação entre casais, sem se prender a clichês.
8. Última Forma
“Fala justamente quando o casal só tem sintonia sexual e não tem a objetividade de construir um futuro. Cristina, minha vizinha na Cidade de Deus, mostra a indignação feminina em uma atuação”.
9. No Calor da Emoção (part. Marrom)
“Quando a pessoa recebe a notícia de que ela não faz mais parte dos planos do seu parceiro e cai na dor de cotovelo. Chamei o Marrom, ex vocalista da banda RZO, para uma pegada rap com elementos de jazz e blues”.
10. Rasante (part. DJ Luciano Rocha)
“Uma alusão ao título do disco. É como se eu tivesse passando de carro com microfone e alto-falantes atrás vendo as mazelas do Brasil na paisagem das favelas. No refrão, fui nos primórdios do hip hop. O DJ Luciano faz scratches com colagens de outras músicas minhas ao mesmo tempo dialogando com o que canto.”
11. Voz de Cria (part. Kmila CDD e Nocivo Shomon)
Como pessoas de dentro, temos nossos protocolos para não cair na vacilação. Nosso vacilômetro está sempre alerta para não dar mole, porque a gente é cria. Conto com os vocais poderosos da Kmila e a lírica do Nocivo Shomon”.
12. Muito obrigado – RIP
“Última faixa do disco e a última que escrevi dentro do próprio estúdio. Deixei a batida rolando, enquanto me lembrei das pessoas que se foram e acabaram esquecidas. Queria agradecer a todos que me ajudaram e não estão mais aqui. Listo alguns nomes que vieram na minha cabeça do Brasil e dos Estados Unidos, nossa referência no rap”.








