A falta de consultoria trabalhista preventiva segue entre as principais causas de ações judiciais, multas e desgaste na gestão de pessoas nas pequenas e médias empresas
Um empresário do setor de serviços, com pouco mais de 40 funcionários, acreditava que “fazer o básico” era suficiente para manter a empresa em dia com a legislação trabalhista. Contratos simples, folha em ordem e pagamento de salários dentro do prazo pareciam garantir segurança. Até a chegada da primeira ação judicial — que logo se transformou em outras três.
O problema não estava em um erro isolado, mas em práticas internas acumuladas ao longo do tempo: ausência de orientação para líderes, falhas na gestão de jornada, comunicação inadequada com colaboradores e decisões tomadas sem qualquer respaldo jurídico. O custo final ultrapassou seis dígitos, entre acordos, honorários, tempo de gestão e desgaste emocional.
Casos como esse são mais comuns do que parecem. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostram que o Brasil segue entre os países com maior volume de ações trabalhistas no mundo. Especialistas apontam que uma parcela significativa desses processos poderia ser evitada com atuação jurídica preventiva e consultiva dentro das empresas.
Segundo a advogada trabalhista empresarial Bruna Ribeiro, sócia do escritório Ribeiro & Barros Advocacia, o erro começa na forma como o jurídico ainda é encarado por muitos empresários. “Existe a cultura de acionar o advogado apenas quando a ação já chegou ou quando a fiscalização já aconteceu. Nesse momento, o risco já virou prejuízo”, afirma.
De acordo com a especialista, a maioria das ações não nasce no Judiciário, mas dentro da própria empresa. “Conflitos internos mal geridos, decisões tomadas sem orientação jurídica, contratos frágeis e líderes despreparados juridicamente são fatores recorrentes. São problemas silenciosos, que se acumulam”, explica.
A advocacia trabalhista empresarial preventiva atua justamente nesse ponto: na estruturação das relações de trabalho, na orientação da liderança, no alinhamento entre RH, jurídico e diretoria e na revisão constante das práticas internas. O objetivo é reduzir riscos antes que eles se transformem em processos ou multas.
Além do aumento das ações judiciais, as empresas também enfrentam um cenário de maior rigor fiscalizatório. Temas como saúde mental, ambiente de trabalho e gestão de riscos psicossociais passaram a integrar o radar de órgãos fiscalizadores, exigindo preparo e acompanhamento jurídico contínuo.
Para Bruna Ribeiro, o empresário que entende o jurídico como parte da estratégia do negócio consegue mais previsibilidade e segurança para crescer. “O advogado não deve ser visto como um custo inevitável ou um último recurso. Ele precisa ser um aliado da gestão, ajudando o empresário a tomar decisões seguras e sustentáveis”, completa.








