Intitulado “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, o segundo trabalho do trio carioca reúne participações de Arnaldo Antunes, Narcizinho, Julia Mestre, Sona Jobarteh e família Veloso ao longo de dez canções inéditas, que serão celebradas em turnê mundial
Como quem repete um mantra para se segurar em momentos amargos, Gilsons dá nome ao seu mais novo trabalho. O segundo álbum de estúdio do trio formado por José, João e Francisco Gil marca um momento de amadurecimento artístico e emocional, com uma expansão sonora que atravessa os percalços da vida. “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” costura um olhar mais amplo sobre a própria história do grupo, unindo herança musical, experimentação contemporânea e uma forte dimensão afetiva. O disco traz participações que ampliam esse universo – como Arnaldo Antunes, Narcizinho (Olodum), Julia Mestre, a multi-instrumentista Sona Jobarteh e a família Veloso (Caetano, Moreno e Tom) – e inaugura uma nova fase também nos palcos, com uma turnê mundial já anunciada para 2026. Ouça “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” aqui.
“Criar esse álbum foi como atravessar tudo o que a gente viveu e, ainda assim, continuar”, resume o trio. “A música aparece muito como essa fagulha que faz a gente seguir em frente. O disco nasce então desse lugar de atravessamento, mas também de esperança. É um projeto que traz um otimismo um pouco mais denso, porque não ignora a dor, não passa por cima do que foi vivido. É sobre olhar pra tudo isso com luz, mesmo quando a escuridão existe”, completam.
Sonoramente, o disco se constrói a partir de uma dualidade complementar: de um lado, canções que abraçam a identidade já reconhecida dos Gilsons, com violões, harmonias solares e raízes profundas na MPB; de outro, faixas que apontam para novos territórios, com texturas eletrônicas sutis, beats, camadas rítmicas e uma escrita mais direta e sensorial. Assim, eles apresentam “um álbum inteiro sobre o mistério, a beleza e a natureza, dos milagres e da nossa existência”. Assinando a produção musical, José destaca: “A gente quis dar um passo à frente sem perder a nossa gênese. Continuar apostando no toque humano, no que é gravado no estúdio, mas somando os beats, entendendo a concepção rítmica e expandindo esse universo”; e João completa: “O projeto foi se formando a partir dessas intenções. Às vezes é o cello que puxa, às vezes o trompete abre um caminho pro arranjo. Tem faixas que são pura animação, quase uma celebração da felicidade, e outras que pedem silêncio”.
A feitura do disco foi atravessada por um período especialmente delicado para o grupo, marcado por luto, turnês intensas e um vínculo familiar ainda mais fortalecido. “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” se tornou então um espaço de elaboração e cura, começando com “Visão”, faixa que abre o disco e opera como um verdadeiro manifesto – é ao longo de sua composição que surge o verso que dá nome ao álbum, sintetizando o olhar que guia todo o projeto. “Semeia”, por sua vez, fala sobre continuidade, cuidado e o que se cultiva ao longo do tempo. Na sequência vem o contraponto de “Zumbido”, seguida por “Desejo” e o single “Bem me Quer”, parceria com Narcizinho.”“Bem Me Quer” foi uma das faixas que abrimos o ano e abraça a nossa história, abraça a nossa sonoridade, a construção, ao mesmo tempo que tem o lugar de ser um agradecimento. Essa coisa de trazer o Narcizinho – que esteve com a gente em Várias Queixas
Dando continuidade ao álbum, a também já apresentada “Minha Flor”, com a colaboração de Arnaldo Antunes na composição e participações de Caetano, Moreno e Tom Veloso. “Tiveram momentos em que a música foi mais sobre acolher do que criar. Estar junto, cuidar um do outro, respeitar os silêncios. Esse disco nasceu muito desse lugar de afeto, de entender que seguir também é um gesto de amor”, conta Fran, que completa: “Minha Flor” é uma sonoridade diferente de tudo que a gente vem fazendo e que traz um pouco da sensibilidade das canções, da escrita, dos assuntos”.
“No primeiro disco a gente optou por não ter nenhum feat, a gente queria realmente solidificar o nosso trabalho como trio e garantir essa nossa identidade no disco de agora. Então, pra essa nova fase, a gente se permitiu ter esses convidados. E ter os Velosos é muito incrível! A gente é superfã do Caetano, do Moreno e do Tom. É uma grande realização, e ainda mais sendo de uma composição que é parceria com o Arnaldo Antunes, que é outro grande compositor. E tudo fez muito sentido nesse momento, nessa canção”, diz João Gil sobre a parceria.
A segunda metade do álbum traz o frescor de “Beijo na Boca”, produzida por Iuri Rio Branco e José Gil. Na reta final, “Vai Chover”, com Arnaldo Antunes, aprofunda ainda mais as camadas emocionais do álbum, que é encerrado por “Nó na Nuca” (em colaboração com a conterrânea Julia Mestre) e “Se a Vida Pede” – como um gesto de aceitação, em parceria com a cantora, compositora e multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh. “O disco é um convite para mergulhar no que a gente viveu, registrando a forma como a gente atravessou tudo isso juntos, com cuidado e apoio. Ele é um retrato dessa luz que a gente escolheu enxergar”, completa Fran.
Para celebrar juntos este novo momento, os Gilsons embarcam em 2026 na turnê mundial “Eu Vejo Luz”, com mais de 30 shows confirmados no Brasil e no exterior. A rota passa por cidades como Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte, além de datas na América do Sul, Europa, Austrália, Nova Zelândia e Portugal. No palco, o trio apresenta o novo repertório ao lado dos sucessos que marcaram sua trajetória, traduzindo ao vivo o espírito de “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”: encontro, movimento e a esperança de se enxergar a luz acima de qualquer dualidade. “Tem músicas que nascem pra curar quem faz e quem escuta. Esse disco veio deste lugar. Um lugar de cuidado, de família e de continuar acreditando na vida”, finaliza o trio.
OUÇA “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” AQUI
TRACKLIST
1. Visão
2. Semeia
3. Zumbido
4. Desejo
5. Bem Me Quer feat Narcizinho
6. Minha Flor feat Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso
7. Beijo na Boca
8. Vai Chover feat Arnaldo Antunes
9. Nó na Nuca feat Julia Mestre
10. Se a Vida Pede feat Sona Jobarteh








