O Brasil possui uma das maiores produções científicas do mundo, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar pesquisas em soluções capazes de chegar ao mercado e competir internacionalmente. A avaliação foi compartilhada por pesquisadores, investidores e empreendedores durante o painel “Como Transformar Desafios em Saúde, Esportes e Bem-Estar em Propostas de Alto Impacto para Colaboração Internacional”, realizado nesta semana, em São Paulo (SP).
O encontro também apresentou a segunda edição do Go Healthy with Taiwan 2026, no Brasil, iniciativa internacional que visa aproximar projetos brasileiros do ecossistema de inovação de Taiwan. O programa vai selecionar três propostas nas áreas de saúde, bem-estar e qualidade de vida para receber US$ 30 mil cada, além de mentorias especializadas e conexões com universidades, empresas e centros de pesquisa taiwaneses.
Ao longo do debate, os especialistas convergiram em um diagnóstico comum: o conhecimento produzido no país precisa estar mais conectado ao mercado, aos investidores e a redes internacionais de colaboração para que consiga gerar impacto econômico e social em larga escala. O evento foi organizado e mediado pelo Instituto Educathon, sob coordenação de Marivaldo Albuquerque.

Para o médico George Mantese, diretor do Instituto Mantese e doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), o país reúne competência científica reconhecida internacionalmente, mas ainda encontra barreiras para transformar inovação em negócios. “É super comum dentro de universidades e hospitais estarmos desenvolvendo inovações, mas eu vejo que os profissionais que pensam em pesquisa e inovação têm dificuldade em colocar aquilo no mercado. Você sabe o que deveria ser feito, mas não como aquilo pode evoluir”, afirma.
Segundo ele, esse cenário reforça a importância da colaboração entre pesquisadores, empreendedores e profissionais especializados em inovação. “As parcerias com pessoas que entendem como colocar essas soluções no mercado são fundamentais”, comenta.
Outro desafio destacado foi a necessidade de estruturar melhor os negócios desde as fases iniciais. Para Gabriel Stobiecki, diretor de Investimentos da Anjos do Brasil, muitas startups concentram seus esforços apenas no desenvolvimento da tecnologia e deixam em segundo plano aspectos essenciais para crescer de forma sustentável.
“As startups não dão muita importância para isso no começo por conta do tamanho pequeno, mas é preciso saber os processos e deixar as coisas organizadas. Como eu escalo com um custo baixo? Porque o investidor não vai querer apostar em você de novo se a empresa ainda depende de novos recursos para crescer”, afirma.
Na avaliação de Stobiecki, governança, organização dos processos e capacidade de escalar o negócio tornaram-se fatores tão importantes quanto a própria inovação tecnológica.

A validação constante das soluções junto aos usuários também foi apontada como um diferencial para transformar boas ideias em produtos competitivos. Fundador e ex-CEO da MedRoom, startup pioneira no uso de realidade virtual para o ensino da anatomia, Vinicius Gusmão afirmou que o crescimento da empresa foi resultado da construção conjunta com seus clientes.
“O primeiro produto que vendemos foi um laboratório de anatomia que só tinha o tórax. O que tinha valor de verdade era o relacionamento com o cliente. A cada nova versão, incorporamos aquilo que ele precisava. Mais do que entregar um produto pronto, era construir uma solução”, disse.
Programa busca ampliar colaboração entre Brasil e Taiwan
As discussões ocorreram durante a apresentação da segunda edição do Go Healthy with Taiwan, no Brasil, campanha promovida pela Administração de Comércio Internacional do Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan (TITA) e organizada pelo Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan (TAITRA), ad by TITA.
A iniciativa tem o objetivo de identificar projetos inovadores nas áreas de saúde inteligente, tecnologia esportiva, indústria da bicicleta e qualidade de vida que possam ser desenvolvidos em parceria entre Brasil e Taiwan.
Na primeira edição, o programa recebeu 638 propostas de 55 países, consolidando-se como uma plataforma internacional de colaboração voltada ao desenvolvimento de soluções para desafios globais em saúde e bem-estar. Ao longo do processo seletivo, 20 projetos participarão de mentorias individuais com especialistas internacionais. Seis finalistas viajarão para Taiwan para conhecer um dos principais ecossistemas globais de inovação, e os três melhores projetos receberão US$ 30 mil cada.
“O mais importante não é ganhar o prêmio, mas construir parcerias internacionais. Taiwan está pronto para trabalhar junto com o Brasil em diferentes áreas para desenvolver soluções que melhorem a qualidade de vida das pessoas”, afirma Sandra Shih, diretora da TAITRA Brasil.
As inscrições para a edição de 2026 seguem abertas até 5 de agosto de 2026, às 23h59 (horário de Taiwan – GMT+8), e podem ser realizadas gratuitamente por empresas, startups, universidades, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. Para contar com o suporte da equipe do programa no Brasil, as propostas deverão ser enviadas até 4 de agosto, às 23h59 (horário de Brasília). Saiba mais: https://gohealthywithtaiwan.com.br.
SERVIÇO
Inscrições para o Go Healthy with Taiwan 2026
Envio das propostas: https://gohealthywithtaiwan.com.br
Contato – TAITRA (Taiwan Trade Center do Brasil)
Telefone: (11) 3170-1800 | https://brazil.taiwantrade.com
Contato – Instituto Educathon (Responsável pelo programa no Brasil)
Telefone: (19) 95326-2879 | https://educathon.org.br
Redes sociais:
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