‘Fina Estampa’, primeiro beijo lésbico em uma novela e Netflix no Brasil: 10 fatos da TV que completam 10 anos em 2021

Você se lembra do que acontecia na TV há 10 anos atrás? Pois bem, o OA resolveu fazer uma lista de 10 fatos que surpreenderam e marcaram a TV naquele ano.

Dentre os citados tem a criação do horário de 23h para homenagear os 60 anos da telenovela brasileira, as 25 mortes de “Insensato Coração” com o intuito de recuperar a audiência da faixa, a briga entre Aguinaldo Silva e Walcyr Carrasco por similaridade entre “Fina Estampa” e “Morde & Assopra”, a estreia de “Rebelde Brasil”, a chegada da Netflix ao país e até representatividade LGBT em novelas do SBT e Record, o que é impossível de se imaginar hoje.

Novela das Onze

Em junho, irá completar 10 anos que a Globo lançou um novo horário de novelas, a chamada “novela das onze”. A primeira produção exibida foi o remake de “O Astro” de Janete Clair, para celebrar os 60 anos da telenovela no Brasil.

Na nova versão, Herculano (Rodrigo Lombardi) é traído por seu parceiro Neco (Humberto Martins) após ambos roubarem donativos para reforma de uma igreja Porém, Neco acaba fugindo e Herculano acaba sendo preso. Nove anos depois, o prisioneiro acaba se tornando um ilusionista de sucesso em uma casa de shows no Rio de Janeiro, no qual acaba se apaixonando pela Amanda (Carolina Ferraz).

Paralelamente a isso, ainda há a família Hayalla, que é dona de uma rede de supermercados. Os pontos altos são os confrontos entre Márcio (Thiago Fragoso) e Salomão (Daniel Filho), que acaba sendo assassinato no capítulo 15 e gerando assim o “quem matou?”. Nesta versão, a assassina foi a sua esposa, a Clô (Regina Duarte). A novela ainda ganhou o Emmy Internacional em 2012.

Após o “O Astro”, a Globo exibiu mais sete novelas na faixa (denominadas superséries a partir de 2017) até a sua extinção em 2019.

Primeiro beijo lésbico em uma novela acontecia no SBT em 2011

Amor e revolução', do SBT, é responsável pelo primeiro beijo gay em novelas  - Jornal O Globo
Foto: Divulgação/SBT

Em um longínquo SBT do que é hoje, em 2011, a emissora exibiu o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo em uma telenovela brasileira, entre as personagens Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Gisele Tigre) em “Amor & Revolução”, escrita por Tiago Santiago. O beijo foi bastante divulgado pela mídia na época, chegando até ser adiado em um capítulo para prender a audiência.

Na época, as atrizes chegaram a comentar com bastante entusiasmo. Em fala ao Jornal O Globo, Luciana disse que a cena seria importante para quebrar preconceitos. “Na novela, a relação das duas até causa estranhamento, porque é nos anos 60. Mas hoje em dia não há motivos para se chocar. Na verdade, a homossexualidade existe desde que o mundo é mundo, desde o antigo Egito. É preciso começar a tratar os gays de forma natural porque não há nada de anormal em relação a eles. Não tem mais porque ter medo de mostrar”. Gisele também comentou que estava feliz com a personagem e chegou a falar que infelizmente recebeu alguns comentários negativos na internet. “Não ouvi comentários ruins na rua, mas na internet tem de tudo. Algumas pessoas acham que destruí minha imagem. Se todos os meus personagens forem tão marcantes quanto esse, vou estar sempre feliz e realizada”, disse a atriz ao UOL.

A cena, exibida no dia 12 de maio de 2011, mostrou um beijo bem delicado com bastante amor, conforme ambas as atrizes queriam. A audiência chegou a triplicar, garantindo quase 10 pontos, e a crítica e o público elogiaram o acontecimento. Apesar disso, um segundo beijo entre as personagens foi vetado pela emissora, assim como também o beijo gay entre Duarte (Carlos Thiré) e Jeová (Lui Mendes).

Com isso, o SBT saiu na frente da Globo, que transmitiu o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo em 2014 na novela “Amor à Vida”.

Personagem trans, tratada de forma séria, na trama principal de uma novela da Record

Personagem de "Vidas em Jogo" descobre que mãe é transexual e tenta  interditá-la para ficar com seu dinheiro - 18/11/2011 - Vidas em Jogo

Assim como no SBT, na longínqua Record do que hoje, a transexualidade foi tratada de forma séria por uma novela da emissora, mais precisamente em “Vidas em Jogo”.

Na trama, a personagem Augusta (Denise Del Vecchio) é uma empresária que escondida de todos que era transexual, incluindo do seu filho Raimundo (Rômulo Neto), que era biológico. A cena da confissão de que Augusta é transexual ao seu filho, exibida em 16 de novembro de 2011, foi uma das mais esperadas e conquistou uma audiência de 15 pontos, sendo uma das mais altas da novela.

Em entrevista ao UOL, Denise Del Vecchio contou que só soube que a personagem era trans após dois meses do início da novela, já que não estava previsto na sinopse, e de que a autora Cristianne Fridman ainda deu liberdade para recusar a fazer caso se sentisse constrangida. Porém, pelo contrário, Denise topou e ainda achou um ótimo desafio. “Achei um ótimo desafio. Perguntei se deveria mudar algo na interpretação. Disse que eu era muito feminina, que tinha curvas e tal… Ela falou que era exatamente por isso que tinha me escolhido, porque o comportamento da Augusta é feminino e que alguns transexuais que ela conhece têm esse comportamento. Que o objetivo dela na trama é mostrar como o comportamento das pessoas ao redor muda por puro preconceito.” – contou a atriz na entrevista.

Ainda na história, Augusta foi internada em uma clínica psiquiátrica clandestina pelo próprio filho e logo em seguida foi “assassinada” pelo palhaço serial killer e voltando somente no último capítulo. Para quem não lembra, na novela ocorria uma série de “mortes” misteriosas envolvendo os ganhadores de um bolão de loteria, porém, na realidade era apenas um plano para protege-los dos atentados de Regina (Beth Goulart).

O que chama atenção é que abordagem séria no tempo em que personagens LGBTs em novelas ainda eram tratados, em grande maioria, de forma cômica. O exemplo disso está em “Fina Estampa” com o Crô (Marcelo Serrado).

Chegada da Netflix ao Brasil

Comercial de Lançamento da Netflix no Brasil (2011)

Em 2011 o streaming ainda estava engatinhando, e mesmo assim a Netflix já marcava presença por aqui, usando como marketing o fato de poder ver séries e filmes a hora que quiser, que naquela época ainda não havia uma produção própria. Seu catálogo tinha produções da Disney/ABC, Warner e até mesmo novelas da Televisa (“Maria do Bairro”), Record (“Rebelde”), SBT e até mesmo da Globo para o catálogo internacional (“Insensato Coração”, “Passione”, “Caras & Bocas” e “Ti Ti Ti”). Hoje sabemos que a realidade é bem diferente.

Confira o primeiro comercial do streaming exibido na TV e que custava apenas 15 reais por mês.

Insensato Coração – a novela com mais mortes na TV

Léo (Leonardo) Brandão (Gabriel Braga Nunes) - Personagens - Insensato  Coração
Cena em que Léo (Gabriel Braga Nunes) mata Irene (Fernanda Paes Leme) grávida. Foto: Divulgação/Globo

Em janeiro de 2011 a Globo estreou a novela “Insensato Coração”, após uma conturbada pré-produção, no qual dois atores pediram afastamento: o Fábio Assunção e a Ana Paula Arósio, que ainda pediu demissão da emissora. Em seus lugares entraram a Paola Oliveira e o Gabriel Braga Nunes, que voltava as telenovelas globais após um período na Record TV.

Sua trama girava em torno dos conflitos entre os irmãos Pedro (Eriberto Leão) e Léo (Gabriel Braga Nunes), que sempre é desprezado pelo seu pai Raul (Antônio Fagundes) e amado por sua mãe Wanda (Natália do Vale). Quem teve destaque mesmo na trama foi a vilã Norma (Glória Pires), uma enfermeira que acaba sendo presa por um golpe de Léo, e após anos na cadeia, decide vinga-lo.

Porém, o que chamou atenção na trama foi a quantidade de assassinatos, que fechou com 25 mortos, uma média de uma morte a cada sete capítulos exibidos e superando até de tramas como “A Próxima Vítima”. A aposta deu certo e a novela foi crescendo na audiência, interrompendo uma queda que vinha no horário desde “América”.

Rebelde Brasil – a novela que o Chay Suede nem lembra

Os amigos Carla (Mel Fronckowiak), Pedro (Micael Borges), Tomás (Chay Suede), Alice (Sophia Abrahão), Roberta (Lua Blanco), Diego (Arthur Aguiar) e além da amizade, dividem os palcos em "Rebelde" (2012)

Se tem uma novela que chamou a atenção em 2011 foi a adaptação brasileira de “Rebelde”, no qual mostrava a rotina dos alunos do Colégio Elite Way, a Alice (Sophia Abrahão), Roberta (Lua Blanco), Diego (Arthur Aguiar), Tomás (Chay Suede), Pedro (Micael Borges) e a Carla (Mel Fronckowiak), que por amor a música, decidem montar uma banda, a Rebeldes.

Assim como na versão mexicana, o grupo saiu em turnê pelo país e chegaram até receber disco de platina pelas mais de 100 mil cópias vendidas do álbum ao vivo.

A trama estreou no dia 21 de março, com o intuito de competir com “Morde & Assopra” da Globo, que havia estreado no mesmo dia. A ideia não deu certo e “Rebelde” acabou mudando de horário, por apenas umas 57 vezes até o fim da segunda temporada em 2012, que amargou diversas derrotas para “Carrossel” do SBT e foi exibida na faixa das 21h.

Para ficar mais divertido, em 2014, na sua ida para a Globo, Chay Suede deu uma entrevista para o “Vídeo Show” alegando que “Império” era a sua primeira novela ao ser questionado pela repórter do programa, não enfatizando que era a sua primeira novela na emissora.

Morde & Assopra e Fina Estampa – as novelas que provocaram briga entre os autores

AS 'COINCIDÊNCIAS' ENTRE “MORDE E ASSOPRA” E “FINA ESTAMPA” VÃO ALÉM DA MÃE  REJEITADA | tv em letras

Quem gosta da novela não deve ter esquecido de uns dos maiores destaques do ano: “Morde & Assopra” de Walcyr Carrasco e “Fina Estampa” de Aguinaldo Silva.

No horário das sete, a novela de Walcyr transitava entre o amor paleontólogo entre o Júlia (Adriana Esteves) e Abner (Marcos Pasquim), que não queria que a profissional escave fósseis de dinossauro, e a tecnologia de saudades de Ícaro (Mateus Solano), que decide fazer uma versão robô de sua esposa Naomi (Flávia Alessandra), em que acha que morreu em um acidente no mar.

A trama não começou com bons índices de audiência, porém após algumas alterações feitas, como a volta da Naomi física, a diminuição do núcleo robótico e a investida nos núcleos de comédia, como o arco do Élcio (Otaviano Costa), que se traveste de Elaine para fugir da polícia e acaba despertando os corações do Sargento Xavier (Anderson Di Rizzi) e do Dr. Eliseu (Paulo Goulart), o Ibope subiu e fechou como uma das novelas de maior audiência do horário da década passada.

Um outro arco que acabou sendo investimento do autor foi o da vendedora de cocada Dulce (Cássia Kiss), que juntava dinheiro para pagar a faculdade de seu filho Guilherme (Klebber Toledo), que tinha vergonha da mãe e mentia que era rico para conquistar a filha do prefeito, a Alice (Marina Ruy Barbosa). Na época, isso acabou despertando a ira de Aguinaldo Silva, no qual chegou a acusar Walcyr de plágio indiretamente pela similaridade com “Fina Estampa”, novela em que foi exibida na mesma época.

Para quem não está entendendo, aconteceu o seguinte: o núcleo pobre da novela das sete foi quase o mesmo que o principal da novela das nove, no qual Griselda (Lília Cabral) trabalhava como “faz tudo” para pagar a faculdade de seu filho Antenor (Caio Castro), que também tinha vergonha da mãe e mentia que era rico para conquistar a Patrícia (Adriana Biroli). Na época, as notícias falaram que a direção da Globo precisou intervir na briga e optou por interferir na novela de Walcyr, que até chegou a ameaçar a rescindir com a Globo. Porém, isso não acabou acontecendo.

Ashton Kutner substituindo Charlie Sheen em “Two And a Half Men”

Ashton Kutcher critica Two and a Half Men e diz que foi enganado por  criador · Notícias da TV

No início de 2011, os fãs da série “Two And a Half Men” (no Brasil exibida com o nome “Dois Homens e Meio) tiveram uma surpresa: o ator Charlie Sheen, que protagonizava a série como Charlie Harper, foi demitido pela Warner Bros. após constantes confusões. O ator dava problemas na hora da gravação, pois chegava sem o texto decorado e ainda errava as marcações, e ainda atacou verbalmente o Chuck Lorie, o autor da série, em uma entrevista. Paralelamente, Sheen ainda enfrentava o problema do vício em álcool e drogas.

Com isso, a Warner optou por fazer uma alteração na série e chamar o Ashton Kutner para ser o novo protagonista. Charlie Harper acabou sendo morto no primeiro episódio da 8ª temporada após cair nos trilhos de um trem em Paris, e com isso, o irmão do personagem, o Alan Harper (Jon Cryer) acaba vendendo a casa em Malibu para Walden Schmidt (Kutner), um empresário recém-separado de sua mulher que, após se sentir sozinho, acaba chamando Alan para morar junto.

Apesar da primeira temporada com Kutner ter sido um sucesso, as demais posteriores teve uma queda de audiência, o que acabou acarretando o fim da série em 2015.

Programa censurado: Mc Leozinho impediu o SBT de usar a expressão “Se Ela Dança, Eu Danço”

No final de 2011, o Mc Leozinho travou uma batalha com o SBT pelo uso da frase “Se Ela Dança, Eu Danço”, no qual a emissora usava como nome de um reality de dança. O funkeiro foi para justiça após alegar que o canal não fez uma proposta interessante pelos direitos da frase, que faz parte de seu sucesso “Ela Só Pensa em Beijar”.

Com isso, no dia 15 de dezembro de 2011, o SBT ficou proibido de usar o nome por conta de uma liminar da 15ª Vara Cível do Rio de Janeiro, fazendo com que o programa tivesse umas alterações. A imagem em que aparecia o logo ficava e invertida e cada vez que alguém falasse o nome acontecia um apito sonoro. No mês seguinte, no dia 11 de janeiro, a liminar acabou sendo derrubada e o último episódio do reality foi exibido sem censura. Confira abaixo como ficou a alteração e o anúncio da liminar pelo canal.

Apesar disso, o processo se arrastou até outubro de 2020, no qual o ministro do STJ Ricardo Cueva deu ganho de causa ao funkeiro por “violação de direito autoral”.

O ano em que estrearam American Horror Story, Revange, Game Of Thrones e Skins

Indo para a TV norte-americana, algumas estreias de séries marcaram não só o ano como também a década, como o caso de “Game Of Thrones” e “American Horror Story”.

A série da HBO inspirada na obra de George R. R. Martin foi um fenômeno em todos os sentidos, entrando para o livro dos recordes nos anos seguintes como “a série dramática com a maior transmissão simultânea ao redor do mundo” e ganhou diversos Emmy. Já a série de Ryan Murphy, que na época também fazia sucesso com “Glee”, continua até hoje com diversos derivados.

Outras que merecem ser destacadas são “Skins” e “Revange”, que por aqui ganhou o carinhoso apelido de “TV Vingancinha” pelo Faustão.

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