O flerte de Luísa Sonza com a Bossa Nova, iniciado com o sucesso de “Chico” em 2023, virou um casamento sério. A cantora inaugura o ano de 2026 com o lançamento de “Bossa Sempre Nova”, um álbum de 14 faixas que conta com a colaboração de luxo de dois dos maiores ícones do gênero: Roberto Menescal e Toquinho.
Gravado ao longo de 2025, o disco foge das edições digitais excessivas do pop atual. A aposta foi no formato orgânico: cantora e instrumentistas face a face no estúdio, quase sem cortes, buscando a leveza e a naturalidade que o estilo, nascido no fim dos anos 50, exige.
Os Padrinhos do Projeto
O álbum é dividido entre a produção e o violão dos dois mestres:
- Roberto Menescal: O “último moicano” da Bossa Nova coproduziu oito faixas. Entre elas, clássicos de sua parceria com Ronaldo Bôscoli, como “O Barquinho” e “Você”.
- Toquinho: O eterno parceiro de Vinicius de Moraes assumiu as outras seis faixas, trazendo arranjos sofisticados para canções como “Tarde de Itapoã” e “Carta ao Tom 74”.
Como tudo começou
Luísa, que se autodefine como uma “rata de bossa” (a ponto de batizar seus gatos como Menescal e Jobim), foi incentivada pelo próprio Roberto Menescal. O encontro aconteceu há dois anos, no camarim de um show de Paula Toller. Menescal elogiou “Chico” e sugeriu que ela mergulhasse nesse universo.
O que seria apenas uma session evoluiu para um álbum completo sob a batuta do produtor Douglas Moda, que também fez a ponte para trazer Toquinho ao projeto.
Destaques do Repertório
O disco intercala clássicos obrigatórios com pérolas menos óbvias e uma novidade autoral.
- A Inédita: “Um pouco de mim” é a primeira parceria de composição entre Luísa Sonza e Menescal. A faixa foi escrita por ela em Los Angeles e finalizada com a harmonia do mestre.
- Tributo a Elis & Tom: Fã declarada de Elis Regina, Luísa incluiu faixas emblemáticas do álbum de 1974, como “Triste”, “Só tinha de ser com você” e a monumental “Águas de Março” (sugestão de Toquinho para “pegar o tom” da cantora).
- Raízes: Há espaço também para “Diz que fui por aí” (Zé Keti), gravada apenas com voz e violão, remetendo ao primeiro álbum de Nara Leão.
O resultado é uma Luísa Sonza soando mais direta e leve, provando que o timbre que domina as paradas pop também tem lugar cativo na história da música brasileira.








