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A geração que pensa imagem: como Byel representa uma nova forma de criar no audiovisual

A consolidação das redes sociais como principal vitrine de conteúdo transformou profundamente o audiovisual brasileiro. Se antes o reconhecimento vinha majoritariamente da televisão ou do cinema tradicional, hoje ele nasce, muitas vezes, de produções independentes que circulam no ambiente digital. Dentro desse movimento, alguns nomes passaram a simbolizar uma mudança mais profunda na forma de criar — entre eles, Byel.

Cineasta e influenciador, Gabriel de Sousa das Dores, mais conhecido como Byel, integra uma geração que cresceu consumindo cinema, séries e linguagem visual sofisticada, mas escolheu a internet como meio de expressão. Seus conteúdos se diferenciam não apenas pelo acabamento estético, mas pela lógica narrativa aplicada mesmo em formatos curtos, algo ainda pouco explorado no ambiente digital brasileiro.

Enquanto grande parte dos criadores aposta em vídeos espontâneos e imediatos, Byel construiu relevância a partir de uma abordagem mais próxima da linguagem cinematográfica. Enquadramentos calculados, ritmo narrativo e uso intencional de trilha sonora fazem com que seus vídeos se aproximem mais de curtas-metragens do que de publicações convencionais de redes sociais.

Esse cuidado técnico ajudou a formar uma base de seguidores que não apenas consome o conteúdo, mas o interpreta como referência estética. Nas redes, comentários recorrentes apontam a sensação de “obra”, e não apenas de postagem — um sinal de que o público jovem também busca profundidade e identidade visual em meio ao excesso de informação.

Outro aspecto que chama atenção é a postura reservada do criador. Mesmo com alta visibilidade, Byel mantém a vida pessoal longe dos holofotes, adotando uma relação mais clássica com a imagem pública. A escolha reforça a percepção de um profissional que prioriza o trabalho autoral em vez da exposição constante, comportamento cada vez mais raro no ecossistema digital.

Especialistas do setor observam que esse tipo de trajetória reflete uma transição importante no audiovisual: a migração de talentos que pensam cinema, mas operam fora das estruturas tradicionais da indústria. Ao utilizar plataformas digitais como canal de distribuição — e não como fim criativo —, criadores como Byel contribuem para ampliar o debate sobre autoria, linguagem e estética no conteúdo contemporâneo.

Ao se aproximar dos 22 anos, que completará em março, Gabriel de Sousa das Dores simboliza um movimento maior do que uma carreira individual. Sua trajetória aponta para uma geração que não separa internet e cinema, mas entende ambos como partes de um mesmo ecossistema criativo, onde narrativa e identidade continuam sendo os principais diferenciais.

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Fernando Machado
Publisher e criador do site

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