Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade volta a colocar em pauta uma das condições que mais desafiam os sistemas de saúde no mundo. A data, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, reforça que a obesidade é uma doença crônica, de origem multifatorial, e não um problema restrito à estética ou à força de vontade individual.
Estimativas globais indicam que mais de 1 bilhão de pessoas convivem atualmente com a obesidade. O impacto vai muito além do ganho de peso: a condição está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e alguns tipos de câncer, além de comprometer a saúde mental, a autoestima e a qualidade de vida.
Para o médico Rhuan Lopes, que atua com foco em nutrologia e emagrecimento avançado, ainda há um grande equívoco na forma como a obesidade é encarada. “Obesidade não é falta de disciplina. É uma doença complexa, que envolve fatores hormonais, metabólicos, genéticos, comportamentais e ambientais. Quando isso é compreendido, a abordagem muda completamente”, afirma.
Segundo ele, reduzir o tema a padrões estéticos é um erro que atrasa diagnósticos e afasta pacientes do tratamento adequado. “Não se trata de vestir um número menor ou atingir um peso ideal. Estamos falando de saúde, de disposição para o dia a dia e de viver com mais autonomia.”
A fala carrega também vivência pessoal. Dr. Rhuan enfrentou a obesidade em dois momentos da vida e chegou a pesar 162 quilos. A experiência, segundo ele, ampliou o olhar clínico e trouxe mais empatia para o cuidado com os pacientes. “Quem já passou por isso sabe que o peso não afeta só o corpo. Ele atinge a autoestima, a autoconfiança e a forma como a pessoa se enxerga. Superar a obesidade é, muitas vezes, um processo de resgate da própria identidade.”
O médico destaca que a transformação vai além do físico. “Quando o paciente volta a se sentir capaz, quando se reconhece novamente no espelho, tudo muda. O tratamento devolve saúde, mas também devolve dignidade, pertencimento e autoestima.”
Um desafio crescente no Brasil
No Brasil, o avanço do sobrepeso e da obesidade acompanha a tendência mundial. Rotinas cada vez mais aceleradas, consumo elevado de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e noites mal d ormidas contribuem para o crescimento dos índices em todas as idades.
Para o especialista, o Dia Mundial da Obesidade é uma oportunidade de reflexão coletiva. “Precisamos substituir o julgamento por informação e acolhimento. Quando a sociedade entende que se trata de uma doença crônica, o preconceito diminui e o acesso ao tratamento se amplia.”
Tratamento não se resume a dieta
De acordo com Dr. Rhuan, abordagens baseadas apenas em dietas restritivas ou soluções rápidas tendem a falhar no médio e longo prazo. O tratamento eficaz precisa ser individualizado, contínuo e focado na saúde metabólica e na mudança sustentável de hábitos.
Entre os principais pilares estão a avaliação clínica detalhada, a investigação de alterações hormonais e resistência à insulina, o planejamento alimentar possível de ser mantido, a prática de atividade física compatível com a realidade do paciente, além do acompanhamento médico regular. Em alguns casos, medicamentos podem ser indicados, sempre com prescrição e monitoramento profissional.
“O emagrecimento saudável passa por reduzir inflamação, melhorar a sensibilidade à insulina e preservar massa muscular. Sem isso, o reganho de peso é frequente. Quando o processo é bem conduzido, ele não muda apenas o corpo, muda a vida.”
Informação como ponto de partida
Para o médico, a data vai além do alerta e deve funcionar como um convite à ação. “A prevenção começa com educação alimentar desde a infância e ambientes que facilitem escolhas mais saudáveis. E, para quem já vive com obesidade, é fundamental saber que existe tratamento sério, baseado em ciência.”
Em um cenário de crescimento silencioso da doença, acesso à informação de qualidade, acompanhamento adequado e estratégias personalizadas fazem toda a diferença. Porque vencer a obesidade não é apenas emagrecer. É recuperar saúde, autoestima e, sobretudo, voltar a se reconhecer.
(Crédito: médicos24h)




