Professor da Estácio orienta cuidados na mudança de estação, calor e umidade pedem atenção redobrada com cães e gatos
A combinação de altas temperaturas e umidade residual cria o ambiente ideal para a proliferação de agentes oportunistas e parasitas. Estatísticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que, especialmente no Centro-Oeste, a umidade pode sofrer uma redução drástica de 50 pontos percentuais a partir de março até o mês de maio. Essa alteração ambiental está diretamente correlacionada ao aumento de quadros dermatológicos, otites e sensibilidades respiratórias em cães e gatos, tornando a prevenção o cuidado mais eficaz nesta virada de estação.
Para Júlio Cesar de Castro, mestre e professor de Medicina Veterinária da Estácio Goiás, a transição para o outono exige uma mudança estratégica no cuidado com os pets. “Com a redução da umidade relativa do ar, observamos uma maior suspensão de antígenos ambientais, o que predispõe cães e gatos a crises alérgicas e ao comprometimento das barreiras respiratórias. Além disso, a estabilidade térmica deste período favorece o ciclo de vida dos carrapatos, elevando o risco de hemoparasitoses graves. O check-up de outono é essencial para monitorar a imunidade e garantir que o animal esteja protegido contra esses agentes antes do auge da seca”, explica.
Segundo o docente, a orientação para este período de transição seria para os tutores ficarem atentos na vigilância de sinais como prurido (coceira) persistente, eritema (vermelhidão) cutâneo e espirros frequentes, que muitas vezes sinalizam a reatividade a antígenos suspensos no ar seco. “Além da investigação laboratorial, a manutenção da saúde da pele e o controle rigoroso de ectoparasitas, como pulgas, sarnas e carrapatos, são cuidados rotineiros indispensáveis para prevenção de quadros inflamatórios ou infecciosos graves durante a estiagem”, alerta.
Complementando a avaliação clínica, o veterinário enfatiza que o manejo ambiental e a profilaxia doméstica são os pilares da saúde preventiva. “A higienização do ambiente deve ser criteriosa. Recomendamos o uso de saneantes com quaternário de amônia para desinfecção, priorizando produtos com pH neutro e isentos de fragrâncias intensas, que são potentes irritantes de mucosas no período seco”, indica. Júlio ainda adverte sobre o uso de água sanitária e ressalta a importância de diluir os produtos conforme o rótulo, utilizando inclusive amaciantes hipoalergênicos em camas e mantas. “É fundamental aguardar a secagem completa do piso antes de permitir o acesso do pet, evitando dermatites de contato”, complementa.
Um alerta importante, segundo o docente, é que a baixa umidade aumenta a perda hídrica imperceptível. “Gatos são naturalmente mais seletivos, portanto deve-se ter no ambiente múltiplas fontes de água fresca e limpa pela casa, podemos usar a criatividade para estimular o consumo”, indica. Como dica de ouro para este outono, Júlio indica o preparo de petiscos gelados e funcionais: “Sorvetes caseiros são excelentes aliados. Basta congelar em fôrmas de gelo uma mistura de água de coco com frutas seguras, como banana, morango ou mirtilo (blueberry). Além de hidratar, essa prática promove o enriquecimento ambiental e oferece um aporte natural de antioxidantes, tornando a rotina de cuidados muito mais prazerosa para o pet”, conclui.








