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Crítica – ‘Jungle Cruise’ tem uma boa aventura e uma visão sem sentido do Brasil

Para quem está procurando um filme de aventura, “Jungle Cruise” é aquela opção que agrada aos fãs do gênero, apensar de soar clichê por diversos momentos.

A produção gira entorno de Lily (Emily Blunt), que ao lado de seu irmão McGregor (Jack Whitehall), saem em busca de uma aventura no Brasil para procurar uma flor de uma árvore encantada em que pode mudar a história da medicina. Nesse rolê, os dois acabam conhecendo Frank (Dwayne Johnson), um guia turístico fanfarrão da região, que sempre dá uns trambiques. Os três saem em busca da árvore, que está em um lugar chamado Lágrimas de Cristal. Porém, o que eles não contavam era que o príncipe também fosse junto para passar a perna nos irmãos.

O filme, que é a adaptação de um parque temático da Disneyworld, em si traz boas cenas para quem é fã do gênero de aventura, ainda mais com o “The Rock” (que também assina a produção executiva) em um papel cômico que saiu super bem. Assim como a mensagem que a produção passa de um combate ao machismo em que a Lily acaba sofrendo e o fato do McGregor ser um homossexual. Na história, sua sexualidade é discutida de forma indireta. Essa aventura é recheada de clichês típicos do gêneros, porém acabam não soando chatos.

Apesar de ter um bom roteiro, há dois momentos que o filme acaba comentando deslizes. O primeiro é a forma em que o nosso país é retratada na produção, como um país precário e até falando espanhol, e pelo que sabemos, essa não é a língua oficial de Porto Velho em Rondônia, cidade brasileira que serve para o ponto de partida da caçada. Pensar assim de um país latino em pleno 2021 soa preconceituoso, mesmo que o filme seja ambientado no início do século XX. Era para ser uma boa oportunidade de explorar a região e mostrar um pouco da nossa arquitetura naquela época. Ou seja, faltou uma boa pesquisa histórica.

Outro é em relações aos CGI. Para um filme da Disney, acaba ficando um pouco a desejar, já que é nítido em alguns momentos que não há bons efeitos especiais e que soa até um pouco desconfortável. Porém, vale a pena assisti-lo após quase 2 anos de adiamento por conta da pandemia.

Para quem for assistir a versão dublada, o filme é o último trabalho do Pietro Mário, que dá voz ao dono do porto Nilo (Paul Giamatti). Pietro faleceu em agosto do ano passado por complicações da Covid-19.

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