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Crítica – ‘O Alto da Boa Mentira’ traz um Ariano Suassuna atual em situações medianas

Na última quinta (29) chegou aos cinemas o filme “O Auto da Boa Mentira”, em que traz quatro situações de comédia inspirada em contos do Ariano Suassuna.

A primeira história é gira em torno de um subgerente de RH Helder (Leandro Hassum) em que é confundido com um comediante famoso e com isso passa a aproveitar da fama em que não tem direito. Porém, tudo muda quando Caetana (Nanda Costa) acaba entrando em seu caminho para querer se vingar do humorista, e, sendo assim, acaba afetando o Helder.

Nesse arco, é possível perceber que tanto o personagem quando a história do Hassum acabam “dando match”, pois na trama o humorista emagrece e é tido pelo seu público que quando obeso era mais engraçado. Mesmo assim, ainda há boas gargalhadas.

O segundo, que pode ser tido como o mais divertido, é quando Fabiano (Renato Goés) não acredita em sua mãe (Cássia Kiss) e tem um possível sonho de que ela escondendo o seu pai verdadeiro, chegando a ir atrás do Palhaço Romeu (Jackson Antunes). Tudo que acontece nesse arco é o puro suco do Brasil, em não acreditar nas pessoas em que devemos e acabarmos caindo em golpes ao confiar em quem não devia.

O desenvolvendo, assim como as atuações, ficaram excepcionais e, nesse momento, o longa chega ao seu ápice. A história em si já daria um filme a parte e que teria um bom desenvolvimento. Na coletiva de imprensa, Jackson Antunes contou que chegou a conviver com Ariano por algum tempo, no qual, em tom de ironia, o chamou de safado. Diga-se de passagem, essa familiaridade impulsionou.

O terceiro conto já cai um pouco, mas ainda dá para assistir. Gira em torno de Pierce (Chris Mason, de ‘Pretty Little Liars’), um gringo que inventa uma mentira de que foi assaltado para não ir ao aniversário de Zeca (Serjão Loroza). Porém, o que não contava é de que essa história chegasse até ao traficante do morro (Jesuíta Barbosa). As atuações falam mais forte que história.

O último conto é uma crítica aos intelectuais que desdenham de alguém que nunca foi para o exterior ou tem uma bagagem de alta classe, girando em torno da estagiária Lorena (Cacá Ottoni), que se sente invisível na empresa de publicidade de Norberto (Luis Miranda) e acaba se sentindo atraída pelo “pseudointelectual” Felipe (Johnny Massaro).  É a história mais fraca, em nenhum momento há risada, ficando muito a desejar.

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