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Crítica – ‘Noite Passada em Soho’ surpreende e mostra um novo Edgar Wright

Sabe um filme de thriller psicológico que surpreende em seu enredo? Com a mais absoluta certeza, “Noite Passada em Soho” é um deles.

A trama gira em torno da Eloise (Thomasin McKenzie), que se muda do interior da Inglaterra para estudar moda em Londres, após passar para uma universidade. Ao chegar na capital inglesa, a jovem não acaba se adaptando primeiramente a república com os seus colegas e acaba alugando um quarto na casa da Miss Collins (Diana Rigg).

Porém, no ambiente, Eloise acaba tendo um lado que possamos dizer espiritual e sendo “transportada” para Londres dos anos 60, em que acaba conhecendo a Sandie (Anya Taylor-Joy), uma promissora cantora que vive um relacionamento conturbado com Charles (James Phelps).

A produção dirigida por Edgar Wright traz uma linguagem mais feminista e com críticas ao machismo, diferente de outras obras suas. As personagens femininas acabam se tornando acolhedoras entre si no conforme vão sofrendo na história, com exceção da Lara (Jessie Mei Li), que fica no famoso estereótipo de menina rica soberba. O roteiro ainda tem uns momentos bem questionáveis, mas não falaremos agora por aqui para não dar spoiler.

Para dizer que não, darei apenas um pequeno spoiler para servir de alerta: esse mesmo sofrimento das mulheres pode acaba sendo um alerta de gatilho, já que em um deles está relacionado a violência sexual e psicológica que acabam sofrendo. Aliás, fica até uma dica para ser colocada no sinopse tanto nos cinemas quanto quando for para o streaming.

Voltando ao filme, os efeitos especiais é um outro ponto que deve ser ressaltado. Em determinados momentos, impressiona a qualidade da produção dos efeitos, por mais que a cena seja apenas por segundos, pois sabemos que na pós-produção dá um trabalho enorme para finaliza-la. O mesmo elogio também fala para a caracterização e a cenografia, que foram fiéis a década de 1960 e deram um tom a altura.

Sobre as atuações, as masculinas, com exceção de Michael Ajao e Terence Stamp, acabam ficando a desejar. Aliás, Michael tem um papel fundamental para a história e que consegue interpreta-lo de uma boa forma ao ponto de torcermos por ele.

Em contrapartida, as atuações femininas merecem todo destaque, a começar por Thomasin McKenzie. A jovem atriz consegue entregar a dramaticidade que a Eloise pede conforme vai gastando a sua energia voltando ao passado de Sandie. Thomasin tem “Noite Passada em Soho” o seu maior destaque nas telonas desde “Jojo Habbit”.

Já a Anya Taylor-Joy demonstra uma excelente atuação em seu primeiro filme lançado após o sucesso da série “O Gambito da Rainha” (vamos descartar “Os Novos Mutantes” por motivos óbvios). Enquanto para Diana Rigg, fica uma personagem marcante em sua carreira que foi marcada por papéis de destaque na televisão. Para quem não sabe, Diana faleceu em setembro do ano passado por decorrência de um câncer.

Agora, quem for assistir o filme, ficará com esse dilema: Eloise teve uma visão psicológica ou espírita? Na minha opinião, isso ficará de acordo com a crença e o modo de ver do espectador. já que ambas as formas soam compreensivas.

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