Teatro

Sonhei que era Gulliver estreia de forma online dia 18 de novembro

A pandemia da COVID-19 trouxe grandes mudanças no modo de viver da humanidade. Habituados a uma vida de intensa atividade social, de uma hora para outra passamos a ter que restringir nossas interações presenciais e, em muitos casos, limitar nosso mundo ao espaço doméstico e das telas para continuar vivendo.

Com os grupos de teatro, não foi diferente: o Maracujá Laboratório de Artes tinha grandes planos para 2020, ano em que pandemia começou. Era o ano de comemoração de 15 anos da companhia e a ideia era estrear um novo espetáculo infantil presencial. Além disso, o grupo continuaria com a circulação de outros espetáculos de seu repertório, que já tinham agenda fechada para várias apresentações. Porém, a interrupção das atividades presenciais impossibilitou a continuidade dessas ações por um longo período.

Confinado em sua casa, o diretor e fundador do grupo, Sidnei Caria, voltou a pesquisar obras literárias que pudessem ser adaptadas para o público infantil e que dialogassem com as diversas técnicas e pesquisas feitas pelo Maracujá, uma constante na história do grupo, que já adaptou diversos livros para o palco (como As Aventuras de Bambolina, Rabisco – um cachorro perfeito e Nerina, a ovelha negra, os três do autor Michele Iacocca, e O Buraco do Muro, espetáculo que faz uma viagem por diversos clássicos da literatura mundial, como Moby Dick, Dom Quixote e Alice no País das Maravilhas). 

Porém, desta vez, esta pesquisa teria um diferencial: o público veria a peça através de transmissões on-line e ela teria que ser toda feita na própria casa do diretor (que, além disso, também é a sede oficial do Maracujá Laboratório de Artes). Além disso, o grupo deveria continuar sua pesquisa estética relacionada à plasticidade visual da cena, buscando trazer para esta proposta as pesquisas com puppet toys, vídeo cenários, teatro físico, teatro de sombras e animação de bonecos já utilizadas em trabalhos anteriores.

Foram estas as premissas que levaram o Maracujá até a obra As viagens de Gulliver, romance do irlandês Jonathan Swift escrito em 1726. O livro, escrito em primeira pessoa, conta a história de Lemuel Gulliver, cirurgião e capitão do mar que viaja pelos confins do mundo e relata quatro de suas aventuras extraordinárias: a primeira (e mais conhecida delas) narra a passagem de Gulliver por Lilliput, país onde todos têm 15 cm de altura, e onde o narrador acaba se tornando conhecido como “Homem Montanha”, por seu tamanho imenso em relação aos demais habitantes, o que não o impede de ser mantido preso por eles no local. Esse confinamento forçado dá a ele a chance de observar todas as mesquinharias e contradições no modo de viver dos liliputianos, chegando ao ponto em que Gulliver é convidado a tomar parte em uma guerra que já dura 36 anos entre Lilliput e a ilha de Blefuscu. E quais as motivações para tal conflito? Uma simples divergência de opinião entre qual ponta do ovo deve ser quebrada primeiro. 

(Divulgação/Maracujá)

Apesar de As viagens de Gulliver ainda retratar mais três países, o grupo optou por focar nesta primeira etapa – Lilliput, considerando que tudo nessa parte da história se encaixa perfeitamente com os interesses de pesquisa do Maracujá: é uma narrativa bastante conhecida, riquíssima em fantasia e que proporciona uma enorme possibilidade de exploração do lúdico e da diversão, essenciais para espetáculos voltados ao público de todas as idades, e que possibilita criar também momentos para refletir e questionar nossa própria condição humana.

A adaptação do diretor e dramaturgo Sidnei Caria optou por adequar todas as técnicas que o grupo já utilizava em seus outros espetáculos à linguagem das telas, mas mantendo o caráter artesanal que o Maracujá sempre imprime em suas experimentações audiovisuais no palco. A diferença de tamanho entre o protagonista e os habitantes locais possibilitou a elaboração de uma rica cenografia construída a partir da técnica de puppet toys, onde miniaturas parecidas com brinquedos recriam Lilliput, com castelos, casas, seus habitantes e animais. A peça também mescla vídeo cenários que recriam o ambiente do mar, e o teatro de sombras é utilizado em vários momentos. E tudo isso foi construído no próprio quarto do diretor, que se tornou literalmente Lilliput, com paredes pintadas com cenários e todos estes elementos espalhados pelo chão, refletores no teto, entre outros recursos.

Porém, a adaptação de Caria não se limitou a retratar a história de Gulliver. Como forma de criar uma nova sensação relativa a esses universos fantásticos e conectá-los ao espaço da casa, onde o espetáculo surgiu, a peça se vale da metalinguagem (recurso já explorado em Rabisco – um cachorro perfeito), apresentando, além do personagem Gulliver (vivido pelo ator Silas Caria), que vive todas as aventuras em Lilliput, um narrador mais velho (vivido pelo diretor Sidnei Caria), que, de sua casa, narra todos estes acontecimentos, fazendo conexões entre situações cotidianas que ele vivencia em sua residência com situações vividas por Gulliver, que podem ser lembranças, sonhos ou sua própria imaginação de leitor. Durante essas inflexões o velho narrador circula por diversos espaços da casa – sala, cozinha, escadas, quintal, misturando a realidade à ficção, trazendo também a casa como personagem da história e elemento de ligação entre toda a narrativa. Para este último aspecto, a Poética do Espaço, do filósofo Gaston Bachelard contribui com as amarrações finais.

O espetáculo “Sonhei que era Gulliver” foi contemplado com o ProAC LAB 52, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, que possibilitou sua montagem e a realização de 12 sessões gratuitas, transmitidas nas redes sociais do Maracujá Laboratório de Artes. Além disso, também gerou toda a cenografia, figurinos e roteiro para sua realização presencial posteriormente. Por fim, ainda como parte das ações previstas pelo projeto, o diretor, dramaturgo e ator Sidnei Caria também realizará um workshop-palestra gratuito, onde apresentará aos participantes um pouco do percurso de criação do espetáculo.

Serviço 

Espetáculo: Sonhei que era Gulliver

18 a 28 de novembro de 2021

Quintas e sextas-feiras às 19h

Sábados e domingos às 16h e 19h

Gratuito

Duração: 35 minutos

Exibição nos seguintes canais: 

Facebook e Youtube do Maracujá Laboratório de Artes

https://www.facebook.com/maracujaartes

https://www.youtube.com/c/maracujalaboratoriodeartes

Workshop-Palestra: O processo de criação do espetáculo Sonhei que era Gulliver 

25 de novembro (quinta-feira) das 19h45 às 21h45

Com Sidnei Caria, diretor, ator e dramaturgo do espetáculo

Gratuito

Público-alvo: maiores de 16 anos, estudantes de teatro, professores e interessados em geral.

Inscrições até 25 de novembro de 2021, no link: https://bit.ly/workshopgulliver

Serão disponibilizados certificados aos participantes.

O workshop-palestra proporcionará aos participantes uma interação online com o diretor, ator, diretor de arte e dramaturgo do espetáculo Sonhei que era Gulliver, Sidnei Caria, que mostrará detalhes do processo criativo, técnicas utilizadas, soluções cênicas audiovisuais, entre outros aspectos do trabalho.

Sidnei Caria tem mais de 35 anos de carreira, sendo a maior parte deles voltado ao teatro para todas as idades. Participou do grupo XPTO como ator de 1985 a 2002. Trabalhou com diretores renomados como Roberto Lage, Celso Frateschi, Maria Alice Vergueiro, Cristiane Paoli-Quito, Ariela Goldman, Cris Lozano, Maria Thais, Hugo Possolo. Foi ator, diretor e diretor de arte na cia Pia Fraus (2005 a 2011). Participou do FITO – Festival de Teatro de Objetos em várias capitais brasileiras. É um dos protagonistas da série infantil “Que monstro te mordeu?”, de Cao Hamburger. Dirige o Maracujá Laboratório de Artes, grupo que fundou em 2005, onde desenvolve pesquisas e trabalhos em dramaturgia, direção, criação e confecção de bonecos, adereços, figurinos e cenários dos espetáculos do grupo. Recebeu prêmios APCA, FEMSA, PANAMCO, Mambembe, entre outros, por diversos espetáculos em sua carreira como ator, diretor, cenógrafo e dramaturgo.

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Nicole Gomez
Formada em Rádio e TV, sou uma apaixonada por Teatro Musical e acredito que a Cultura pode mudar vidas.

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