Cinema

Crítica – “A Odisseia dos Tontos” usa a crise da Argentina de 2001 para uma indireta a atual do país

Hoje chega aos cinemas o filme argentino “A Odisseia dos Tontos”, dirigido pelo Sebastián Borensztein e que conta com o Ricardo Darín e seu filho Chino Darín  em destaque como protagonistas, interpretando também pai e filho.

O longa conta a história de um pequeno povoado em que todos os moradores se juntam para montar uma cooperativa agrícola, doando dinheiro que acaba somando um total de 300 mil dólares, o que não foi muito difícil, já que na época (o filme se passa em 2001) um dólar era equivalente a um peso. Porém, tudo muda quando o Fermín (Ricardo Darín) é incentivado pelo gerente de seu banco a investir a grana no banco, a trocando por pesos e aplicando em uma poupança, porém, o que ele não contava é que no dia seguinte fosse acontecer o ‘corralito’, uma medida do governo argentino em bloquear a poupança e só poder sacar um determinado valor, semelhante ao que aconteceu por aqui no governo Collor em 1990.

Para piorar, um homem ainda sacou o dinheiro deles e o deixou em cofre que foi construído em uma fazenda, o que serve de mote para a história, já que um grupo desse povoado se une para se vingar e pegar a grana de volta. A partir daí que dá-se início a “tragicomédia” do filme.

O seu roteiro é bem amarrado e não decepciona nas ações e nas situações que percorrem no longa, mesmo algumas sendo previsíveis e clichês. Assim como tem sido em filmes brasileiros e até mesmo os estadunidenses, “Odisseia dos Tontos” usa como pano de fundo a crise econômica argentina de 2001 para relacionar e criticar a atual crise que o país enfrenta. Em alguns momentos, fica aquela sensação de “putz, nada mudou”, e realmente, não mudou.

A direção do Sabastián também está excelente, não ficando a desejar e se igualando a outros filmes de sua parceria com o Darín como “Um Conto Chinês”, um dos melhores até.

Apesar de tudo, há uma mensagem boa de otimismo que há mostrada durante ao longa, junto com a superação do protagonista, e tratar isso junto com a comédia e ficando no equilíbrio não é fácil.

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