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Crítica – ‘Veneza’ traz Falabella em um filme atemporal e com uma narrativa lenta

Nesta quinta (17) chega aos cinemas “Veneza”, o aguardado filme de Miguel Falabella adaptado da peça homônima de Jorge Accame.

O filme gira em torno de Gringa (Carmem Maura), dona de um bordel no qual abriga Rita (Dira Paes), Madalena (Carol Castro), Jerusa (Danielle Winits) e Tonho (Eduardo Moscovis), que é criado no ambiente por conta de sua mãe. Com a idade avançada e de que a sua hora de partir está chegando, Gringa começa a insistir de que tem que ir para Veneza reencontrar o seu grande amor da juventude.

A ideia da adaptação de uma peça de 40 minutos para um longa-metragem de 1h30 faz com que a história acabe tendo uma narrativa lenta, cujo o seu ápice é atingido quase no final e tem o desfecho feito rapidamente. Isso ainda se soma com o fato da história ter ficado um pouco confusa por conta das questões de logísticas.

Para quem não sabe, a Carmen não pode vir ao Brasil na época das filmagens, em 2018, por não poder se vacinar contra a febre amarela, que na época havia um aumento de casos no país. Com isso, as filmagens acabaram sendo realizadas no Uruguai em um tempo mais curto, por questões de orçamento. Porém, o filme acabou tendo uma história em que se passava no Brasil com elementos do país vizinho, como placas e letreiros.

Voltando a adaptação, no longa foi incluindo um arco em que não estava na peça que foi o do Julio (Caio Manhete), que vive um garoto em que tem o sonho de ser feliz sendo travesti, no qual é levado sempre pelo seu pai (Roney Vilela) ao bordel com o intuito de ter relações sexuais com uma das meninas, no qual acaba se apaixonando pela Madalena. Falabella contou que esse arco foi inspirado em uma história real em que presenciou quando era jovem, no qual uma prostituta era casada com uma travesti.

Apesar de não ser o foco principal, o núcleo traz uma relevância por mostrar um amor que não é típico nos filmes e de uma forma dramática se comparado com a forma em que o Falabella já retratou travestis em suas produções. Tanto a travesti quanto a prostituta tem o sonho de serem sucessos em São Paulo e ainda trabalharem na internet.

Aí entra um outro ponto em que merece destaque: o longa acaba tendo uma história atemporal, com elementos e cenário vintages e uma atualidade com a internet e o mercado de camgirls. O que acaba se encaixando bem na narrativa.

O filme já foi premiado com os Kikitos de melhor direção de arte (Tulé Peake) e melhor atriz coadjuvante (Carol Castro) no Festival de Gramado e recebeu quatro troféus no Los Angeles Brazilian Film Festival – melhor direção de fotografia (Gustavo Hadba), melhor ator (Eduardo Moscovis), melhor ator coadjuvante (André Mattos) e melhor atriz coadjuvante (Carol Castro), além de melhor roteiro (Miguel Falabella) no Brazilian Film Festival of Miami.

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