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Entrevista: Ivo Ueter, fundador da Cia dos Reis

Ivo Ueter é ator, produtor, diretor e fundador da Cia Dos Reis, que, entre outros espetáculos de sucesso, está em cartaz com Querido Amigo, no Teatro Shopping West Plaza, Sala Laura Cardoso, em São Paulo. Conversamos com o artista sobre o projeto, a criação da Companhia, entre outras coisas. Confira!

Oniverso Abomináve: Como foi o surgimento da ideia que originou a Cia dos Reis?

Ivo Ueter: Meu contato com o teatro foi desde muito novinho. Eu comecei a trabalhar ainda criança para outras companhias. Com isso, eu tinha formação em cursos livres, e como eu era uma criança muito desenvolta, fui chamado para trabalhar em diversos lugares. Quando me tornei adulto, eu resolvi me profissionalizar, ter um pouco mais de conhecimento teórico, e acabei me matriculado numa escola onde eu conheci outros companheiros e fundamos a Companhia dos Reis. Já tínhamos passado por outras companhias, tido contato com outros lugares, outros diretores e resolvemos fazer as nossas próprias coisas. E aí, a Cia foi fundada. Os dois primeiros anos foram de estudos e como desenvolver, porque ajuda não vem, você tem que se empenhar para conseguir suas próprias coisas. A partir dessa fundação, a gente conseguiu juntar todas as coisas: música, dança, texto, dentro dos mesmos espetáculos, e aí podemos trabalhar com diversas temáticas, passando por diversos gêneros, entre comédia, drama, espetáculo musical. E assim, surgiu a Companhia dos Reis.

OA: Como você enxerga a importância de seu trabalho, bem como a cultura em geral, para o cenário atual do Brasil?

IU: Eu valorizo muito uma história bem contada e essa é a função do Teatro: fazer com que o público fique completamente em catarse, envolvido com aquilo, que possa levar uma mensagem bacana para casa, ficar tocado por aquela história durante a semana, durante a vida. O contato com o teatro se difere muito dos outros veículos, pois se tem muito mais contato com aquela vida e fica-se muito mais imerso naquela história. Então, tem uma importância extrema para a vida. Este trabalho, com relação à cultura, eu faço dentro e fora da companhia. Porque, uma história bem contada é isso: ela atravessa gerações, faz com que a pessoa memorize aquilo para sempre. E quando tem uma boa mensagem, que geralmente os espetáculos em que eu trabalho costumam fazer este papel, aquilo é transmitido e o público volta. Então, é importante o público sair preenchido de dentro do Teatro e levar esta mensagem, esta coisa boa para a semana, para a vida e para as outras pessoas. Enfim, o teatro é um respiro, uma forma de você ficar imerso dentro de uma história que não é a sua, mas que você se identifica e também se diverte.

OA: Existe alguma peça que você ainda sonhe em montar com a Cia? Qual?

IU: Tem um espetáculo chamado “O Balcão”, que eu tenho muito carinho por ele, tenho vontade de montar. Também quero muito ainda trabalhar com Nelson Rodrigues. É algo que eu não fiz dentro da Companhia. E tem outras ideias. A Companhia, hoje, trabalha muito com a temática LGBTQUIA+, e a gente quer continuar explorando isso. Além dos espetáculos infantis, que acabam sendo o forte da Cia, porque envolve toda a família, todas as gerações gostam muito de espetáculos clássicos. Então, a gente quer continuar com esse segmento, trazendo ideias novas também.

OA: Qual foi, até hoje, o momento mais marcante de sua carreira?

IU: Existem alguns momentos, né? As coisas negativas que acontecem ao longo da carreira vão fortalecendo a gente. Quando você é muito insistente, chegam as coisas boas. Agora, os divisores de água, dentro da minha carreira, foram: receber indicações de Prêmios por espetáculos criados por mim. E sem dúvida nenhuma, o divisor de águas dentro da companhia, e que faz parte da minha carreira, foi ter sido escolhido para dirigir o “Castelo Râ-Tim-Bum”.

OA: Sobre “Querido Amigo”, existe algum aspecto do espetáculo com o qual você se identifique mais? Se sim, conte um pouco sobre.

IU: O “Querido Amigo” é uma história que acontece com todo mundo. É uma história sobre amor e amizade, quando esses dois sentimentos se confundem. Então, eu tenho carinho por este espetáculo, porque todas as pessoas se identificam com ele, todo mundo já passou por uma coisa semelhante, então é muito gostoso sempre contar esta história. Eu sinto que ele é um espetáculo atemporal e muito tocante. Então, é sempre muito prazeroso fazer uma temporada do “Querido Amigo”. As pessoas saem realmente muito tocadas e aliviadas ao mesmo tempo.

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Ivo Ueter (@ivoueter) • Fotos e vídeos do Instagram

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Nicole Gomez
Formada em Rádio e TV, sou uma apaixonada por Teatro Musical e acredito que a Cultura pode mudar vidas.

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